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  • Mai

    15

    2026

Especialista alerta produtores rurais sobre riscos jurídicos e destaca importância de contratos e planejamento

  Com mais de duas décadas de atuação no Direito do Agronegócio, o advogado Luiz Eduardo Mariano Salzarulo chama a atenção para os principais cuidados que produtores e proprietários rurais devem adotar para evitar prejuízos financeiros e problemas jurídicos. Com 23 anos de profissão, sendo 21 dedicados ao setor, Salzarulo foi fundador e primeiro presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB/SP – São Bernardo legislações, sendo muito recomendado o assessoramento de profissionais com conhecimento na área.

ACE Batatais - O setor rural, principalmente para os donos de propriedades rurais, devem ter atenção quanto aos seus direitos e deveres para evitar autuações, ações, processos e prejuízos financeiros?

Luiz Eduardo Mariano Salzarulo - Os produtores rurais devem sempre ficar atentos às mudanças nas legislações, sendo muito recomendado a consulta e o assessoramento de profissionais com conhecimento no assunto.

ACE - É comum proprietários rurais arrendarem suas terras para grandes produtores de determinada cultura, como o caso da cana-de-açúcar. Como fazer isso de forma correta?

Luiz Eduardo – Primeiramente, é importante que o contrato seja feito de forma escrita e não somente verbal. Além do mais, é prudente que ele seja registrado no cartório de titulo e documentos.

ACE - Quais são os riscos para quem está colocando sua propriedade para arrendamento caso o contrato não seja bem elaborado?

Luiz Eduardo  - Os riscos são:

  1. A lei exige que o proprietário notifique o arrendatário com 6 meses de antecedência caso queira retomar o imóvel. Se você esquecer essa cláusula ou o prazo, o contrato se renova sozinho.

  2. Sem uma cláusula que condicione as melhorias à autorização prévia e por escrito, o arrendatário pode realizar obras na sua propriedade e depois cobrar o reembolso integral das benfeitorias.

  3. O contrato deve prever o pagamento do arrendamento em dinheiro, mesmo que seja pago em produto. Se no contrato a previsão for de pagamento em produtos, pode ser considerado nulo.

ACE - Dependendo da cultura, o mercado oscila em altos e baixos, o que coloca o produtor, ou proprietário rural, em situação de vulnerabilidade junto às instituições financeiras e até com o pagamento de tributos. O que fazer nestes casos?

Luiz Eduardo - Nesses casos de oscilação de mercado, quebra de safra ou eventos climáticos, o produtor tem o direito ao alongamento da dívida, caso o crédito concedido tenha sido crédito de natureza rural.

ACE - Como as propriedades rurais, muitas vezes, são distantes dos grandes centros, o trabalhador rural tem seus direitos garantidos junto aos seus contratantes?

Luiz Eduardo - Os trabalhadores rurais têm os mesmos direitos dos trabalhadores urbanos, incluindo o registro em carteira de trabalho, FGTS, aposentadoria, entre outros.

ACE - Oferecer moradia na propriedade rural, para a função de caseiro por exemplo, livre de pagamento de água e luz, pode ser considerado parte da remuneração do trabalhador rural? Isso pode gerar algum processo na justiça?

Luiz Eduardo - Sim, pode ser considerado parte da remuneração, mas para evitar problemas com a Justiça deve ser documentado de forma correta, evitando a configuração do salário indireto.

ACE - Mesmo propriedades rurais de pequeno porte estão sujeitas às fiscalizações? Como os proprietários devem se respaldar para evitar autuações?

Luiz Eduardo - Tanto as grandes propriedades rurais como as pequenas estão sujeitas às normas estabelecidas, pela União, Estados e Municípios. Para evitar autuações, os proprietários devem ficar atentos às mudanças legislativas, e se possível, contar com a ajuda de profissionais da área de atuação.

ACE - Qualquer propriedade rural é obrigada a ter 20% de reserva ambiental? O que acontece se isso não for respeitado?

Luiz Eduardo - Esse é o percentual mínimo. Há locais onde a propriedade rural precisa ter 35% e até 80% de área de reserva legal.  Caso os parâmetros de reserva legal não sejam cumpridos, o proprietário pode não conseguir um financiamento ou seguro agrícola para propriedades; multas pesadas de natureza ambiental; dificuldade de venda do imóvel e embargos da área.

ACE - Com a sua experiência no setor, qual a dúvida ou processo legal mais comum no Direito do Agronegócio? O que gera mais processos?

Luiz Eduardo - Atualmente a grande demanda no agronegócio tem sido o direito ao alongamento de dívidas originadas da concessão de crédito rural.